Desta longa e dura caminhada
levo apenas o que de abstrato fica
nem dinheiro, motivo do trabalho
nem objetos que seu poder implica
Os imóveis, com suor conseguidos
As montanhas de pares de sapatos
as coleções de perfumes de luxo
os livros na estante empoeirados
Não levo nem os bichos que criei
nem pessoas com as quais vivi
nem retratos alterados que tirei
nada do que muito consegui
as lembranças que de tudo eu guardei
um pedaço de cabelo de uma amiga
um galho de uma planta arrancada
são lembranças que tenho desta vida
um papel de confeito num diário
uma velha embalagem de "batom"
o total de lembranças é vasto
inclusive memórias de som
músicas ouvidas em instantes
em minha memória eternizados
e o que levo desse curso viajante
é registros de momentos acabados
é somente o que fica indelével
emoções, saberes e sentimentos
o que vale nesta rápida viagem
é guardar o que nos faz melhor por dentro.
Boletim Letras 360º #633
Há 11 horas